quarta-feira, 22 de setembro de 2010

Objeto estético: A Mulher

Ao longo dos anos a imagem da mulher vem sendo frequentemente usada no meio da publicidade e propaganda. Isso deve-se ao fato da imagem da mulher ser um incontestável ícone de beleza na humanidade, ao longo do mundo uma imensidão de culturas e meios de expressão vêm, desde os primórdios da civilização, idealizando e exaltando a figura feminina. Este seria um dos motivos pelo qual a imagem da mulher é até hoje um dos maiores apelos estéticos usados no mundo.

Ao passar dos anos a idealização da figura feminina vêm sofrendo modificações de acordo com os anseios de cada época. A moda pode ser citada como um grande indicador de tendência a ser seguida, e claro, a mulher sempre foi o foco principal de modismos.

No design, propaganda e publicidade não poderia ser diferente. Nessas áreas as tendências também são criadas/seguidas. Em cada período um estilo de ver, sentir e demonstrar um determinado sentimento muda, seguindo ou determinando padrões sociais que cada geração participa.

No nosso post de hoje vamos falar sobre a estética da figura feminina e os conceitos que elas nos trazem em diferentes épocas.
Fizemos a análise em duas peças de diferentes décadas do séc. XX para mostrarmos os diferenciais estéticos. Nossas imagens são de campanhas publicitárias de um perfume mundialmente e tradicionalmente conhecido: Chanel nº 5 (Chanel).


A primeira imagem é uma campanha da década de 30, nela podemos ver uma imagem simples, uma rápida descrição seria: Duas mulheres caminham de mãos dadas no campo em um dia ensolarado.

Um mundo simples assim seria chato né? Então, vamos recorrer à nossa querida Semiótica e chegarmos a um resultado das verdadeiras intenções dessa peça publicitária.

Em 1930 essa foto ilustraria perfeitamente a emancipação adquirida por uma grande parte das mulheres na década anterior, elas estavam eufóricas e feministas, retomando toda a feminilidade e conquistando toda a liberdade nunca tida antes. A moda estava mais confortável e dirigida aos novos hábitos femininos como o esporte, banhos de mar, exposição do corpo ao sol e a natureza e tantos outros hábitos que se tornaram comuns para elas. As mulheres exibem uma alegria em trajes confortáveis, com certo militarismo (reflexos da guerra) que trazem um ar de sobriedade e responsabilidade à nova mulher que nascia nessa década, a mulher independente e capaz de ser bem sucedida sem o peso de um "bom casamento".

No cartaz está escrito o seguinte:
"A poesia da ação expressada em perfume... é o alcance de um longínquo horizonte... o som do vento passando nas asas de um avião... o arco de um cavalo que salta num riacho... para todas as suas horas fora de casa."

Por essas frases resume-se todo um sentimento feminino da época e a utilização de sua imagem para a divulgação do perfume.

Passemos agora para a segunda propaganda, agora de meados de 1970.

Descrição: uma mulher bonita, olha fixamente para o admirador.

Semioticamente falando: Em 1970 a mulher está totalmente independente, sedutora e dona de si. A liberdade sexual e o espírito revolucionário tomam conta dessa década. A maquiagem e a indústria de cosméticos está em alta, alavancando esse perfil de campanha que foca o rosto de uma mulher maquiada, close no rosto, olhar penetrante, decidida. A moda é variada, o hippie vira hippie-chique, cabelos longos mais naturais, uma idéia romântica e despojada invade o universo feminino e a androgenia começa a tomar conta do mundo da moda, onde já começam a cair as barreiras entre o exclusivamente masculino e feminino.

A peça é simples, com o foco no rosto e o frasco do produto logo a baixo, a imagem resume um anseio de uma época: independência, beleza, objetividade.

Agora, para finalizarmos o nosso post, vamos falar um pouco de uma campanha mais atual do perfume Chanel nº 5.

Vamos descrever: A modelo (e atriz Holywoodiana Keira Knightley) está semi-nua, sexy, olhando para o expectador.

Destrinchando: Esse cartaz com um forte apelo sexual expressa muito bem os dias de hoje. O uso da imagem da mulher com o corpo à mostra está em alta. A mulher moderna não tem limites para mostrar sua beleza, magreza, e sensualidade, o nú é mais explorado e explicitado, reafirmando um desejo de ser sexy e desejada.

A peça, como de costume da marca, é simples, certeira. Resume uma estética geral em uma única imagem.

Vale lembrar que o bom gosto em ser sexy e ousada é importante, pois a vulgaridade denigre a imagem da mulher (#reflitam). Mas isso é um outro assunto.

Obrigado por ter conseguido chegar ao final ;*

domingo, 5 de setembro de 2010

ESTÉTICA – PIET MONDRIAN

Mondrian nasceu na região rural de Amerfoort / Holanda, em 7 de março de 1872. Sua família de origem calvinista extremamente religiosa desejava que Mondrian seguisse a carreira clerical. Ele, embora muito influenciado pela religião resolveu seguir a carreira artística, na qual teve o primeiro contato através de seu tio que era pintor.


Ingressou na carreira artística contra a vontade de sua família, assim tendo uma grande luta interior de princípios, já que sua cultura acreditava que a arte seria um caminho para o pecado. Por meio de sua sensibilidade Mondrian logo encontrou um caminho para estabilizar estes “opostos” que separavam sua arte da religião. Após conhecer a Teosofia que pregava o trilhar de um caminho evolutivo pessoal ele percebeu que a arte nada mais seria do que uma evolução interior. Por sua inteligência podemos dizer que esse artista encontrou um equilíbrio entre religião e arte, neutralizando seus conflitos interiores.

Piet Mondrian foi e é um pintor importantíssimo por sua quebra de parâmetros com as regras estabelecidas pelo classicismo.

Também foi o fundador do Neoplasticismo que defendia uma total limpeza para a pintura, reduzindo-as a seus elementos mais puros e buscando suas características mais próprias. Idealizou sua arte sobre o básico da formação da imagem: linha, plano e cores primárias; linhas verticais e horizontais. Foi desta maneira que o pintor holandês tornou-se um símbolo de expressão moderna, tecnologia e atemporalidade com sua arte abstrata, com suas pinturas quadriculadas.

Suas principais obras: Moinho perto da água / Moinho de vento sob a luz do sol / A árvore vermelha / Composição 10 em preto e branco / Composição C / Composição em vermelho, amarelo e azul / Composição em amarelo, azul e vermelho / Broadway Boogie Woogie.

Piet Mondrian faleceu em Nova Iorque em 1 de fevereiro de 1944, deixando um memorável legado para a arte mundial, influenciou a moda, design de produtos e tantas outras vertentes.



Nas palavras do próprio Mondrian:
"Uma expressão individual não se torna uma expressão universal por meio da representação figurativa, que se baseia em nossa concepção do sentimento, seja clássica, romântica, religiosa ou surrealista."

Infográfico sobre a relação de palavras-chaves com Mondrian.