Ao passar dos anos a idealização da figura feminina vêm sofrendo modificações de acordo com os anseios de cada época. A moda pode ser citada como um grande indicador de tendência a ser seguida, e claro, a mulher sempre foi o foco principal de modismos.
No design, propaganda e publicidade não poderia ser diferente. Nessas áreas as tendências também são criadas/seguidas. Em cada período um estilo de ver, sentir e demonstrar um determinado sentimento muda, seguindo ou determinando padrões sociais que cada geração participa.

A primeira imagem é uma campanha da década de 30, nela podemos ver uma imagem simples, uma rápida descrição seria: Duas mulheres caminham de mãos dadas no campo em um dia ensolarado.
Um mundo simples assim seria chato né? Então, vamos recorrer à nossa querida Semiótica e chegarmos a um resultado das verdadeiras intenções dessa peça publicitária.
Em 1930 essa foto ilustraria perfeitamente a emancipação adquirida por uma grande parte das mulheres na década anterior, elas estavam eufóricas e feministas, retomando toda a feminilidade e conquistando toda a liberdade nunca tida antes. A moda estava mais confortável e dirigida aos novos hábitos femininos como o esporte, banhos de mar, exposição do corpo ao sol e a natureza e tantos outros hábitos que se tornaram comuns para elas. As mulheres exibem uma alegria em trajes confortáveis, com certo militarismo (reflexos da guerra) que trazem um ar de sobriedade e responsabilidade à nova mulher que nascia nessa década, a mulher independente e capaz de ser bem sucedida sem o peso de um "bom casamento".
No cartaz está escrito o seguinte:
"A poesia da ação expressada em perfume... é o alcance de um longínquo horizonte... o som do vento passando nas asas de um avião... o arco de um cavalo que salta num riacho... para todas as suas horas fora de casa."
Por essas frases resume-se todo um sentimento feminino da época e a utilização de sua imagem para a divulgação do perfume.
Passemos agora para a segunda propaganda, agora de meados de 1970.
Descrição: uma mulher bonita, olha fixamente para o admirador.
Semioticamente falando: Em 1970 a mulher está totalmente independente, sedutora e dona de si. A liberdade sexual e o espírito revolucionário tomam conta dessa década. A maquiagem e a indústria de cosméticos está em alta, alavancando esse perfil de campanha que foca o rosto de uma mulher maquiada, close no rosto, olhar penetrante, decidida. A moda é variada, o hippie vira hippie-chique, cabelos longos mais naturais, uma idéia romântica e despojada invade o universo feminino e a androgenia começa a tomar conta do mundo da moda, onde já começam a cair as barreiras entre o exclusivamente masculino e feminino.
A peça é simples, com o foco no rosto e o frasco do produto logo a baixo, a imagem resume um anseio de uma época: independência, beleza, objetividade.
Agora, para finalizarmos o nosso post, vamos falar um pouco de uma campanha mais atual do perfume Chanel nº 5.
Vamos descrever: A modelo (e atriz Holywoodiana Keira Knightley) está semi-nua, sexy, olhando para o expectador.
Destrinchando: Esse cartaz com um forte apelo sexual expressa muito bem os dias de hoje. O uso da imagem da mulher com o corpo à mostra está em alta. A mulher moderna não tem limites para mostrar sua beleza, magreza, e sensualidade, o nú é mais explorado e explicitado, reafirmando um desejo de ser sexy e desejada.
A peça, como de costume da marca, é simples, certeira. Resume uma estética geral em uma única imagem.
Vale lembrar que o bom gosto em ser sexy e ousada é importante, pois a vulgaridade denigre a imagem da mulher (#reflitam). Mas isso é um outro assunto.
Obrigado por ter conseguido chegar ao final ;*
Ótimo texto de vocês. Reflete mesmo em como a mulher é usada na publicidade e propaganda. E sem ser vulgar, apenas sexy.
ResponderExcluirPerfect. HAHA'
=*